DUSTETRY

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::vomitorama::


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De alguma maneira, desdenho o Amor.

Círculo de sentimentos e alucinações,
te invoco não só agora mas a cada piscar de olhos
- vidrados no outro.

Me repugnas de tal forma que feres,
sufocas, entopes minhas veias e
então -

Explodo.

E carrego o peso de te ter comigo.
Acordar comigo.
Dormir comigo.

Te faço com meus líquidos
Cheiros, gostos, êxtase.

E te desdenho.

Me digas, então, o que pensas,
o que articulas, o que instigas
Quando eu estou dormindo.

Te refiras à mim como
teu pecado
que torce tuas vísceras
e dilata tuas artérias.

Eis aqui a tua sentença:

Amor,
O maior de todos os criminosos,
Ficarás preso dentro do meu peito
Até eu aprender a te amar. Comments:

O processo de criação

Crítico
Critico (eu)
Escrita.
Crítica
Criticas (tu)
Crias.
Primas
Obras
Primeiras
Genes
Genética
Primogênitas
.rimo........tas...
Remotas!
Re-montas.
Retas
Tortas
Des
Entortas
Entra
Viaja
Rumo:
Roma
Arruma
Uma
Duas
Três
Scriptor (imaginário)
Escritor
Autor (itário)


(2003)

. Comments:



Sem-tidos

Prometi a mim mesma que ia ser feliz
E não ter medos
Nem receios
Nem indecisões

Aconteceu que o amor me deixou perturbada.
Então tive medos
Receios
Indecisões

Quando via o céu e a árvore cobrindo de roxo o azul
Pensava em ser livre
Em ter sossego
Escrever
Ler

Aconteceu que a academia me deixou perturbada.
Então me senti presa
Sem sossego
Iletrada
Analfabeta

Se uma música tocava em um alto-falante qualquer
Imaginava as batidas
Os instrumentos
Sabores
E solfejos

Aconteceu que as aulas de música me deixaram perturbada.
Não tinha mais imaginação
Só os instrumentos
Mas não sentia o gosto
De saber solfejar

Hoje, prometo novamente ser feliz
E brindar ao amor
Ao sossego
Degustar os livros
Os instrumentos
Ouvir os solfejos
De mãos dadas com minha imaginação
Comments:



Ceu sol nuvem chuva
Carro para come uva
Olha olho fala cor
Mira reto chama amor
Rima rema
Infinitas belezas
Sonha soma
Crescentes certezas

Me sinto romantica...


Comments:

chuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuá
chuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuá
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chuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuáchuá Comments:

Eu havia dito zilhões de vezes para a Joaquina não comer dentro da piscina.

"Joaquina, quantas vezes eu já te disse pra não fazer isso, menina?"
"Zilhões"

Era espertinha, aquela desgraçada.
Sempre achei que ela seria Miss Guarda-Chuva.

Só falta parar de comer. Comments:

to entediada.
.
.
.
Comments:

Uma receita para fazer um poema dadaísta:

Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Tristan Tzara Comments:

Você que anda por aí em busca da saída

Da porta em que se encontram as chaves-mestre

Da figura onde os homens são hidrantes apavorados

Do livro que teima em não fechar


Você que treme e corre e foge e olha

Você que escuta e pensa e ri e não enxerga


Não vê que a luz do sol clareia, mas ofusca?

Não entende que no final você consegue, mas se assusta? Comments:

Arruela de ferro

Depois do gozo, o Sol. Já é de manhã e meu corpo insiste em não se mover. O barulho incessante daquele aparelho me ensurdece e hipnotiza. Penso ainda estar dormindo. E durmo. Quando minha contagem chegar aos cinqüenta, então despertarei desse peso que me segura, mãos pernas ventre. De todos os barulhos existentes esse é o que mais me incomoda. Não pelo som que dele é emitido, mas por ser o mesmo toda a vez que toca. Na mesma hora. Para a mesma pessoa. Com os mesmos fins. Estico as pernas, gemo, abro os olhos e qualquer movimento que acarrete uma decisão maior ainda é praticamente impossível. Minha nuca dói. Viro de lado e mais uma vez começo a contagem - dessa vez até sessenta. Já não tenho mais sono e a única coisa que me mantém deitada é a falta de coragem. Me aconchego, então, por entre as cobertas naquele edredom macio que ganhei de aniversário no ano anterior. Ainda tenho mais quarenta tempos da minha contagem. Começo a pensar no que fazer quando finalmente chegar no zero. Tirar o edredom macio de coma de mim, colocá-lo de volta da mesma maneira, com cuidado para evitar desarrumar muito a cama e depois só depositá-lo sobre ela e esticar um pouco. Erguer os braços, fazer umas respirações profundas, acender o abajur e me encaminhar para fazer a higiene matinal. Então tomarei um bom banho e deixarei a água cair sobre meus ombros que sofrem com a falta de comodidade do colchão. Enxugarei os cabelos, escovarei os dentes e voltarei para o quarto para escolher uma roupa. Ainda tenho vinte e cinco tempos e são suficientes para continuar os planos, pelo menos até o momento de sair de casa. Escolho uma roupa - calça de linho e camisa com um pequeno bolso do lado esquerdo, como de costume. Me dirijo para o quarto ao lado e arrumo uns papéis que precisarei durante o dia. Algumas poucas folhas encadernadas a dois reais e outros poucos blocos de anotações. Lápis. Então comerei alguma coisa e tomarei café com leite - mais leite que café. Mais doce que salgado. A louça deixarei na pia, para quando voltar. Nesse momento, minha contagem já acabou. Ainda preciso de mais tempo para pegar minhas coisas, descer o elevador e chegar ao trabalho. Decido aumentá-la trinta vezes. Guardarei a geléia e o leite na geladeira e me aprontarei para sair. Gastarei um tempo procurando as chaves e as encontrarei com mais sete reais no bolso da calça que pus ontem à noite. Fecharei a porta. Desperto. Sobraram ainda dez tempos que utilizo para pensar se tenho ainda algo a fazer. Sim, tenho.

Tudo ocorreu conforme imaginei. É assim e sempre será. Com uns pequenos ajustes, meu corpo começa a se movimentar mais que meus pensamentos e então deixarei de ser uma pessoa pensante e me tornarei uma engrenagem perfeita capaz de proporcionar os devidos ajustes corretos a cada dia.
Comments:

Como pode um peixe vivo
Morrer.
Como posso, menina viva,
Morrer.
Como podes tu, distante,
Não morrer.

Não me digas essas palavras
Na minha nuca, surda
Não me encostes com retóricas
Na minha única vontade
Na minha única tentativa
De te me fazer entender

Como podem peixes mortos
Serem servidos no jantar
Como posso, não me deliciar
Com tatos, cheiros e paladar
Como podes tu, me fazer...
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A Arte de Cair

A arte de cair consiste em se abster das perfeições impostas pelos quadrúpedes. Para esta tarefa, são necessários olhos bem abertos, pés no chão, braços relaxados, olhar à frente e estômago vazio. Após uma longa jornada, de não menos de 52 horas insuportáveis de convivência com os quadrúpedes, o atuante pode começar a pôr em prática a queda. (Neste momento, a utilização de qualquer elemento químico, exceto o hidrogênio e o oxigênio, está devidamente proibida).

Com os dois pés no chão e as mãos na altura do meio das coxas, curve-se em direção ao solo, apóie as mesmas paralelamente aos joelhos que devem estar encostados no chão e utilize outros signos lingüísticos para se comunicar.
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Roda, menina, roda e fique tonta
Translada daqui pra lá e roda, menina, roda
Fique tonta

Um movimento em torno do seu eixo
Qual é seu eixo?
Roda, menina, roda
Não tente encontrar

Aqui
O vermelho não é sangue
O azul não é céu
O verde não é mato
O amarelo não é sol

Aqui
A roda não é redonda
O ruído não é quadrado
A postura não é um triângulo
Eqüilátero

Roda, menina, roda
Roda e fique tonta
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Silêncio Ensurdecedor


Ainda estou para descobrir onde fica o silêncio que se esconde nesse mato. Silêncio este que me chama para comungar e celebrar a vida que em certas ocasiões é surda e sem apetite. Duas ou muito mais vezes já em deparei com a vontade de engolir o silêncio. É indigerível. Prefiro plantas, ervas, água turva.
Lá, onde o barulho das borboletas e o som ensurdecedor do verde que se torna morro ao olhar humano, mastigo a saliva ácida que me corrói o estômago.

Costumava mergulhar até sentir explodirem meus tímpanos enquanto fugia daquele piá que vinha de bicicleta com a correia enferrujada. De longe já ouvia o ranger das roldanas e o gritar das folhas secas. Era ele. Vinha me perturbar e, enquanto eu não subia de volta à superfície, ele não saía dali. Ele e a ferrugem daquela bicicleta roubada. Permanecia quieto, olhar fixo no meu umbigo que não tinha coragem de lhe devolver a indagação.
Até que me faltava ar e meus ouvidos já entupidos clamavam por socorro. Nadava até a beira da lagoa (a água costumava ser mais quente e com mais mato lá), me levantava com frio, baixava a cabeça para me proteger do sol e voltava de onde eu vinha. "De onde eu vinha?" - pensei. Talvez seja isso que aquele piá queria saber. Mas eu não falo. Não vou falar. Ele que fique parado, me fitando com aqueles olhos negros e brancos. Muito brancos.
Dou meia volta e o ignoro. Mais uma vez. E outra, e outra e mais uma. Parece que ele não me deixa ir. Fecho os olhos e o nariz e sopro meus ouvidos até sentir o alívio. Já posso novamente escutar o silêncio que se esconde no mato. Não sinto o gosto de nada. Engulo seco e minha garganta áspera rejeita o muco. Abro os olhos. O sol ofusca um pouco. O piá não está mais lá. As borboletas amarelas voltam a bater as asas de uma maneira frenética. Me deixa tonto.
Não sei que horas são e nem se ainda tenho frio. Não sinto a ponta dos meus dedos e começo a estalá-los de forma compulsiva até ouvir um som descompassado. É inútil. Sem muito que fazer, retorno à lagoa e fico esperando meus ouvidos e meu pulmão pedirem socorro novamente, enquanto aquele piá não volta com sua bicicleta enferrujada.

Ainda estou para descobrir onde fica o silêncio que se esconde nesse mato.
Comments:

Hoje é um dia nublado.
(Nu, Nulo, Nó, Nós, Nuca)
Hoje é um dia dublado.
(Duplo, Dúbio, Dúzia, Duelo, Duodeno)

Hoje é dia de São Você. Comments:

Eu não escrevo poesia
Todo dia
Escrevo
Olhares, sussurros e cafunés.

Eu não vejo você
Todo dia
Leio
Poesia, sussurros e cafunés.

Eu não falo muito
Todo dia
Vejo
Olhares, poesia e cafunés.

Eu não toco em você
Todo dia
Sinto
Olhares, sussurros e poesia.

Eu não escrevo poesia
Todo dia.
Comments:

Eu tenho um lápis que
Escreve bonito
Verde e brilha
Escreve as cores
E canta os pensamentos
Desliza e sorri.
Eu tenho um lápis que
Conta os segredos
Brancos e cinzas
Desenha as vontades
E conta os pensamentos
Os meus e os dele.

Eu tenho uma borracha.

Comments:

O domingo estava meio tedioso. O menino e a menina foram passear no parque.

"Vamos?"
"Vamos"

(...)

Assim que chegaram, viram umas tartarugas nadando no lago. O lago estava sujo e as tartarugas não falavam nada. Nem o menino e a menina.

Seguiram caminhando e, prestando atenção nas árvores ao seu redor, o menino e a menina tentavam ler os nomes científicos das plantas. As plantas não falavam nada. Nem o menino e a menina.

Mais adiante, havia uns coelhos e uns patos. O menino e a menina ficaram um tempo olhando para eles, vendo como eles se mexiam, o que eles pensavam. O coelho e os patos não falavam nada. Nem o menino e a menina.

Ainda no mesmo caminho (não havia outro), o menino e a menina se preparavam para ir embora. Já estava na hora e o menino estava com problemas com os mosquitos - e com outros, talvez. O problema da menina era outro.

"Será que ele quer ficar sozinho?" - pensava a menina.
"Será que ela quer ficar sozinha?" - pensava o menino.

O menino e a menina não falavam nada.

Os mosquitos, os patos, os coelhos, as plantas, os nomes, as tartarugas - silenciavam.

A natureza se entende bem.
O menino e a menina (depois) também.

"I love you pra xuxú. Se você não está perto eu fico jururu. Tudo azul, mas sem você eu fico blue..."
Comments:

Como quatro passos que se intercalam para ver o mais perto, ela escorrega no limo da sua cadeira.
Suas mãos estão secas e suas pernas úmidas. O queixo foca o peito. As costas se espantam e seus ombros acompanham.
São quinze e quarenta e três. Os pés, tímidos, se agarram no pó. As mãos ainda não dão conta de mantê-la segura e então suas coxas começam a seguir em direção ao mais perto.

A cabeça, o queixo, o peito, os ombros, as mãos, as costas, os quadris, as coxas, os pés e ela se recolhem mais uma vez.

O cansaço da menina.

Comments:

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